Dinamarca, 02 de outubro de 2009, Comitê Olímpico Internacional.
Rio de Janeiro ganha como cidade sede das olimpíadas no ano de 2016. Carnaval em Copacabana.
Rio de Janeiro, outubro de 2009, guerra urbana.
Zona norte da cidade maravilhosa se transforma em palco de uma guerra urbana, real e social. Entre bandidos e mocinhos está a população, encurralada em meio a tiros de fuzis.
“No miro mas televisión
No hay nada para ver
Salgo a pasear por la ciudad
Y en un disparo una cancion
Se hace graffiti en mi
Da da da di da da da
Da da da di da da da
Un graffiti en mi interior
Me dice que mañana es hoy”
Amanhã é hoje.
Estamos vivenciando, em plena ressaca de pré-olimpíada, uma guerra urbana, uma guerra real, uma guerra social entre traficantes e policiais, em nossa querida cidade maravilhosa.
O Brasil é um país fantástico por sua alegria, sua felicidade perante tanta desgraça. Admiro nosso povo guerreiro que enfrenta tanta dificuldade para ter um teto próprio. Nosso povo é brasileiro e não desiste NUNCA. Digno de uma honraria dessas, sem dúvidas.
Entretanto o Brasil não quer enxergar as próprias deficiências e problemas, se faz de cego.
Como podemos acomodar pessoas do mundo inteiro em segurança? Como? Se não damos a devida segurança e tranqüilidade ao nosso povo? Pessoas aterrorizadas, amedrontadas, assustadas e principalmente, desacreditadas em nosso governo. E com total razão.
“Ser feliz
No siempre es una diversión
Quizás
Nos queden las ganas de agonizar”
Penso que não somos capazes de tal evento, não aposto no Brasil. Nem Copa, nem Olimpíada. Nada.
O governo não foi capaz de acabar com o tráfico, concluir o projeto fome zero em quatro anos, não há saneamento básico em todo território nacional, o desemprego ainda é grande, a desigualdade social é muito forte, a corrupção é piada e não mais absurdo, os pais já não são mais pais, a pizza no governo só aumenta a rodada... Se o básico de um governo que é manter a ordem, a comodidade e a franqueza perante a seu povo, o nosso governo não conseguiu, porque eu, brasileira, deveria acreditar que podemos, sim, fazer uma Copa e uma Olimpíada digna? Por que eu acreditaria nisso?
Não faz sentido algum termos tais eventos aqui, não faz...
Estranhos não sabem iniciar uma amizade.
Não. Estranhos não sabem iniciar uma amizade cara a cara.
Eles simplesmente não sabem iniciar uma conversa casual que então possa levar a uma amizade sólida, como, por exemplo, numa parada de ônibus, num restaurante em comum, essas coisas de tempos antigos, onde todos da parada de ônibus conversavam distraidamente sobre o cotidiano. Hoje, não se faz mais isso. Hoje, para facilitar nossa rede de amigos, temos o Orkut (estranhamente o Word colocou, instantaneamente, a palavra “Orkut” com a primeira letra em maiúsculo, o que isso pode nos dizer?).
Adicionamos em nosso perfil pessoas estranhas, mas que tenham algo em comum, como amigos ou comunidades. Não é mais preciso ter boas referencias das pessoas, basta um clique e você tem novecentos e noventa e nove amigos, rapidinho assim.
Quantos destes amigos virtuais você conhece? Quantos você já viu pessoalmente e reconheceu e teve a coragem de cumprimentar? O Orkut faz dessas, nos deixam mais tímidos na vida real e mais desinibidos na telinha. Contudo, ainda o que reina em nossa vida, são as amizades reais, pessoais, de toques, de carinho e de fala cara a cara.
Entretanto ainda relutamos a novas amizades, aquelas da parada de ônibus, do restaurante ou da fila do banco, ainda somos anti-sociais em público e populares demais na rede.
O que vale mais, o real ou o virtual?

Deparo-me (comigo mesma) diante do espelho.
Olho, recordo,
porém não lembro.
Não reconheço, não encontro
aquele rosto familiar.
Agora quem ocupa os velhos olhos juvenis são aqueles olhos oblíquos, estranhos, dissimulados, atordoados.
Não são meus olhos cor de mel,
ou será que sempre foram assim?
Corro para longe daquele reflexo mal feito de mim,
busco em olhares íntimos alguma imagem familiar,
algum retrato mundano
pois tudo parece um sonho,
um pesadelo mal contado,
um verso mal resolvido.
ACORDO!
É dia,
já não é noite a muito tempo.
Agora o que resta é acostumar-me com os olhos dissimulados e oblíquos,
é acostumar-me com o real e não mais com o infinito...
Corre, corre, corre!
Corraaaaa!
Não! Pare, pare, pare!
Pára!
Volte, volte, volte!
Voltaaa!
Não! Foge, foge, foge!
Fuja!
Agora! Acorde, acorde, acorde!
Acordaaaa!
~Não te preocupas, não é hoje que vais terminar (9/9/9) 
Ontem, deitada em minha cama, peguei no sono lendo as estrelas.
E hoje acordei recitando os raios de sol que entravam em minha janela.
Levanto-me e caio por entre as palavras espalhadas em meu quarto.
Então começo a juntá-las em meu colo, para depois colocá-las em meu jardim.
Contudo meu jardim é feito de cores e sons, não há espaço para palavras.
Busco, então, outro lugar para colocá-las, mas procuro e não há lugar algum.
O jeito é ajeitá-las dentro de meu coração, pois é o único lugar que não a rejeitarão.
Suspiro! Tenho em mim agora todas as palavras do mundo, tenho em mim, todas as histórias do universo!

Eu só quereria morrer de amor.
Somente, nada além.
Morrer amando, morrer amada, morrer deleitada de amor.
Sentir o gosto de felicidade, de sublimidade, de serenidade, de tranquilidade.
Eu só quereria morrer de amor, um dia que fosse.
Deitar-me entre as nuvens da emoção e encontrar dentro de seus olhos o meu fim.
Quereria muito um dia morrer de amor.
As lágrimas deveriam correr soltas em seu rosto, os soluços e a falta fôlego deveriam ter-lhe tomado conta, porém não havia nada, nem lágrimas, nem soluços ou falta de fôlego. Sentia-se seca por dentro, como se fosse lhe tirado todo o liquido de seu corpo. Desde que levantará da calçada, já se passara um dia inteiro, e já era noite novamente. A sensação de passagem de tempo ficou clara após o fogo cessar e a dor no peito diminuir. Sophie não sabia o que lhe tinha acontecido na noite anterior. Caminhou até o banheiro e tomou uma ducha de água morna, mas que parecia mais fervente de tão quente que sentia em sua pele. Foi quando Sophie olhou sua pele translúcida e branca, algo que lhe causou choque. Ela era macia e sedosa, mas ao mesmo tempo era fria e rígida. Ao espelho virou-se para olhar seu rosto e o que viu lhe assustou; não viu seu reflexo! Sophie pegou a toalha e esfregou contra o vidro com tamanha força que o deixou em fagulhas. Não acreditava no que seus olhos viam, não poderia acreditar. Sophie saiu correndo do banheiro e foi em direção a porta da rua quando se deparou com alguém lhe observando.Compulsão
“Já eram onze horas e trinta minutos da noite, havia saído do cursinho muito tarde e o último trem saia as onze e trinta e cinco, precisava correr. A noite estava aparentemente calma e serena, o céu estava coberto pelo seu manto de estrelas e a lua tão suave quanto o perfume de uma rosa. Mas não havia tempo para apreciar a noite, realmente precisava correr. Onze e trinta e quatro e eu nem tinha passado pela roleta. Ouvi então o barulho dos trilhos do trem, onze e trinta e cinco, o trem já havia partido. Não tinha o que fazer a não ser ir caminhando para casa, quarenta minutos de caminhada e oito minutos apenas se fosse de trem. Pelo menos a noite estava agradável para caminhar.”
“Havia apenas eu e alguns morcegos que transitavam entre as árvores da Rua 13. Normalmente eu teria medo desses mamíferos voadores, mas como estava em um lugar aberto no qual eles teriam bastante espaço para transitarem, eu sentia-me tranqüila.”
Em algum lugar no alto da rua, Vlad meditava: “Eu já há observo algum tempo, não sei ao certo, mas algo nela me atraiu. Uma reles humana, nada de espetacular, apenas sangue embalado em carne fresca. Não entendo o que me chama atenção nessa magrela
, mas nos últimos meses todas as noites a acompanho pelo caminho do metrô. Observo cada passo, cada gesto, cada movimento espontâneo, a observo com todo o meu cuidado. Eu a quero, sem dúvida, e hoje é a minha chance.“
“A rua estava tão tranqüila que podia ouvir os meus passos e isso me perturbava, não gostava do som que eles faziam. Talvez fosse a minha solidão perante a noite que me agoniava e não o ruído de meus sapatos. Gostaria de estar acompanhada, sentir-me-ia mais segura”, Sophie conversava consigo mesma.
Vlad podia ler os pensamentos Sophie, “Creio que a companhia que define a segurança. E posso afirmar que comigo, Sophie, se sentiria muito mais segura...”
De repente uma ventania se estende na rua, mudando as folhas do outono de lugar. Sophie sentia na pele o medo da solidão, e os arrepios gelados da noite. Sentia que necessitava de calor humano e começou a caminhar mais rápido.
Vlad a queria como nunca quis alguém. Precisava do seu calor, do seu sangue correndo nas suas veias pulsantes, do seu corpo quente. Era agora a sua chance de tê-la consigo. Precisava apenas de uma oportunidade para pegá-la desprevenida.
Mal sabia Sophie que alguém a seguia desde que saia do cursinho. O medo que a tomava não a permitia a percepção de ruídos alheios. O vento continuava tão intenso quanto antes, o que mudava eram apenas as nuvens que encobririam a lua tão suave. A luminosidade que a lua transmitia já se extinguia e a Rua 13 se tornava cada vez mais escura. Essa era a oportunidade de Vlad.
Faltava apenas duas quadras para chegar a casa - Sophie sentia-se mais tranqüila e segura. Mal sabia ela que a esperava na esquina... Vlad estava à sua espera, estava ansioso e inseguro, pois a desejava como nunca.
“Apenas alguns metros e estou na segurança de minha casa” - pensava Sophie – “que noite agonizante, mas no fim nada me aconteceu e eu estou bem. Mas não entendo porque meu coração disparou de repente, sinto uma falta de ar, um aperto no peito. Melhor eu correr para chegar mais rápido, falta apenas uma quadra.”
Sophie correu apenas alguns metros, e caiu, batendo a cabeça no cordão da calçada. Não chegará a desmaiar, ouvia os passos de alguém se aproximando, quando menos esperava estava sendo carregada. Sentia que o seu corpo estava em contato com algo frio, gelado como se fosse mármore.
Vlad correu com Sophie alguns metros até chegar a um banco, não se conteve e deslizou a sua mão pelo pescoço dela, estava tão quente quanto o sol, e a mordeu.
Quando Sophie acordou encontrava-se deitada em plena calçada, com sangue em sua roupa. A sua cabeça doía intensamente e não se lembrava do que havia acontecido. Levantou e foi para casa. Apenas sentia-se um tanto quanto fraca e que necessitava de um cálice de sang...
O conto foi escrito em 14/07/08. A imagem é retirada do devianArt, um site muitissimo utilizado por mim, no qual praticamente todas as imagens que uso no blog são retiradas de lá. Está imagem é do "faile35", valeu cara!
Todos dizem que estão com frio, porém estão abarrotados de casacos e mantas.